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Crise afeta até o segmento de analgésicos e vendas recuam

02/10/2017


 Nem mesmo os analgésicos passam ilesos à crise econômica. Entre janeiro e agosto deste ano, o volume vendido desta classe terapêutica recuou 3,43%, informou ao DCI o sindicato do setor (Sindusfarma), com base em dados compilados da QuintilesIMS.
\"Não podemos dizer que a indústria farmacêutica não sentiu a crise, pois há tempos que não tínhamos queda\", disse o presidente-executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), Nelson Mussolini, em referência aos resultados de venda do segmento de analgésicos até agosto.
\"As pessoas não deixaram de ter dor de cabeça, porém há uma relação com o nível de renda. Quando se está empregado, o consumidor passa mais nas farmácias e compra remédio isento de prescrição [MIP]. Mas quando desempregadas, algumas pessoas vão para um quarto escuro e esperam a dor passar\", diz. Dados mais recentes apontam que a taxa de desocupação no País, entre junho e agosto, ficou em 12,6%, uma alta de 0,8 ponto percentual sobre igual intervalo de 2016.
Em termos de valores, o faturamento das indústrias com a classe terapêutica avançou 4,7%, impulsionado, em boa parte, pelo reajuste médio ponderado autorizado pelo governo, de 2,63%, que foi aplicado a partir de abril.
Mercado
A importância dos analgésicos para a indústria se observa pela participação de 7,3% sobre o volume total comercializado pelo setor, ficando atrás apenas dos antibióticos.
No entanto, o setor de forma consolidada desacelerou este ano. A projeção do Sindusfarma é de que o mercado cresça 4% este ano, de forma consolidada, para algo como 3,8 bilhões de unidades vendidas. Este ritmo de crescimento será inferior aos observados em 2015 ( 7,6%) e em 2016 ( 8,6%).
Em termos de faturamento, a indústria deverá movimentar R$ 54,7 bilhões, o que representaria um avanço de 8%, ainda segundo estimativa do Sindusfarma. No ano passado, a receita do setor cresceu 13,6%, enquanto em 2015 o incremento foi de 6,5%. \"Apenas medicamentos para hipertensão, diabetes ou outras doenças crônicas, que não podem ser descontinuados, não perdem força na crise. Todos os MIPs tendem a ter um desempenho pior\", acrescenta Mussolini.
Rentabilidade
Mesmo com a alta do faturamento, porém, a indústria perde rentabilidade. Dados elaborados pelo Sindusfarma mostram que, entre 2008 e 2017, o reajuste médio dos medicamentos foi de 63,01%, enquanto a variação do dólar ( 78,47%) e da inflação medida pelo IPCA (82,30%) acumulam altas superiores. Por outro lado, o custo da mão de obra ultrapassou os demais reajustes, com as reposições salariais totalizando no período mais de 103%.
Mussolini, do Sindusfarma, evitou mensurar o tamanho das perdas de rentabilidade que a indústria vem sofrendo, mas elencou fatores que complicam o ambiente dos negócios, tais como dependência de insumos importados, custo da mão de obra e carga tributária.
Segundo ele, os impostos sobre os medicamentos beiram os 34%, bem acima da média mundial, de 6,1%. \"Temos custos que efetivamente aumentam as despesas das empresas. Vamos bem em faturamento, mas sofremos na rentabilidade.\"
Especialmente em relação aos importados, a indústria está sob o impacto da alta generalizada dos insumos em escala global, comenta Mussolini. Como 95% deles são adquiridos no exterior, principalmente da China e da Índia - e em menor quantidade da Europa - há um impacto direto nos custos das empresas. \"O Brasil não produz ingredientes ativos, apenas os medicamentos finais.\"
Concorrência
Num mercado em que grandes companhias investem pesado em pesquisa, exposição nos pontos de venda e na calibragem dos descontos oferecidos às farmácias, a concorrência é muito acirrada, sobretudo em momentos de queda do mercado. Por ser uma área muito pulverizada, os ganhos de participação de mercado são obtidos, em parte, pelas estratégias comerciais de desconto.
Outra alternativa é por meio de lançamentos. Na Hypermarcas, a estratégia é a de segmentar as etapas da dor de cabeça, com inovações incrementais, como o Doril Enxaqueca, que, até junho, representava 47% da demanda final da marca Doril. Já o Alivium, cujo princípio ativo é o Ibuprofeno, passou a ser oferecido em versão com cápsulas líquidas. Procuradas pelo DCI, Sanofi e Takeda preferiram não comentar sobre o mercado.
O consumo global de analgésicos deve movimentar US$ 24,9 bilhões este ano, alta de 3% ante 2016. Desse total, o Brasil deve representar US$ 1,92 bilhão (alta de 7,9% em dólares), na segunda posição mundial.

Fonte/Autor: DCI/ Tudo Farma

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